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A Rede Marista de Solidariedade, por meio do Centro Marista de Defesa da Infância, em parceria com o Instituto InterCement, finalizam as formações teórico-práticas do projeto Brincadiquê? Pelo Direito ao Brincar no município de Apiaí, entre os dias 1 e 3 de dezembro. O projeto contemplou a formação de profissionais de Apiaí e Itaoca (SP) ao longo de 2 anos. O evento final foi realizado no dia 3 com a participação de 120 pessoas, no Rotary Clube.

A discussão central do dia 1, em que foi realizado o 8º seminário com a temática “Crianças e natureza” com o palestrante Gandhy Piorski Aires, foi a interação e compreensão do indivíduo com o meio onde vive, com seus pares e a natureza. Aires abordou assuntos relativos à imaginação, os sentidos e o brincar como processo de desenvolvimento integral infantil, conduzindo o pensamento dos 39 profissionais presentes, atuantes com as infâncias, a reviver as memórias de quando eram crianças, buscando os elementos culturais que alimentam o imaginário e que estão presentes ainda hoje na vida adulta.

“Na minha formação como psicóloga já tenho presente a importância do brincar para todos os aspectos de desenvolvimento da criança, mas na prática, acabamos deixando um pouco de lado a parte lúdica, o projeto veio mostrar que é fundamental essa valorização do brincar e dos vínculos entre família e criança para o desenvolvimento infantil”, afirma Ana Emília Pienta Borges Barbosa, psicóloga do Centro de Referência em Ação Social de Apiaí.

No dia 2, foi realizado o último encontro com o Grupo de Trabalho, onde realizaram a revisão dos documentos elaborados pelo grupo para a continuidade das discussões e atuação na defesa do direito ao brincar nos dois municípios. Entre os documentos, está o Calendário Municipal, onde foram elencadas ações para serem realizadas em 2016. Outro destaque foi a escrita de uma carta de intenção, onde propuseram formalmente que o brincar seja instituído como projeto de lei. Essa carta será entregue à Câmara de Vereadores de Apiaí em 2016.

Jonas Mendes Júnior, secretário municipal de educação, cultura, esporte e turismo de Itaoca, conta que “o projeto veio em uma época em que o município de Itaoca estava tendo que enfrentar uma crise causada por uma catástrofe ambiental, e veio a contribuir com o trabalho de reestruturação feita pela população, fortalecendo o trabalho em conjunto. Das formações do Brincadiquê surgiu um projeto que iniciará em janeiro, onde as áreas de educação, saúde e assistência farão atividades nos bairros, promovendo o brincar nos diferentes espaços”.

No encerramento, realizado no dia 3, compareceram cerca de 120 pessoas entre os participantes, autoridades e convidados, no Rotary Clube de Apiaí. A coordenadora do projeto, Sheila Pomilho, falou da trajetória formativa e apresentou os resultados alcançados. “Muitos desafios foram enfrentados e superados, ao realizarmos o projeto com os dois municípios, Apiaí e Itaoca, entre eles, a logística, e também os esforços para se chegar a um objetivo comum, levando em conta as diferentes realidades, e o grupo alcançou sucesso. É notório o interesse na defesa dos direitos na construção dos documentos ao longo do percurso bem como na escrita da carta de intenção, que foi feita por um esforço coletivo do Grupo de Trabalho”, afirma.

Para os participantes convidados da comunidade, no seminário aberto realizado no último dia, o conteúdo trabalhado veio a contribuir com as reflexões e práticas de atendimento à criança. Uma das convidadas, Vilma Santos Barbosa, agente comunitária de saúde de Apiaí, relatou sobre o papel do adulto na formação social da criança, por meio dos brinquedos e brincadeiras “vejo que o projeto vem trazer a importância da interação entre adultos e crianças, porque nós nos afastamos da criança, temos substituído nossa presença pela tecnologia, pela televisão, e é essencial essa aproximação, o ser humano precisa aprender a conviver e se relacionar com o meio e com  as outras pessoas, a compreensão de que precisamos do outro, do convívio social é preciso ter desde criança, e o projeto vem mostrar isso”, afirma.

Foram 8 seminários realizados ao todo, para discutir temáticas relativas a defesa do direito ao brincar e legislações. Ao longo dos encontros, foram confeccionados cerca de 2.000 mil brinquedos que serviram como base para que os participantes pudessem replicar nos espaços onde trabalham. O projeto realizou ainda, 40h de formação à distância, em que os participantes realizaram pesquisas e desenvolveram projetos nos espaços onde atuam, considerando a cultura local. Houve ainda, a ressignificação dos Planos de Trabalho e Projetos Políticos Pedagógicos das unidades educativas e de atendimento participantes.