O brincante paraense, Leandro Medina contribuiu com formações dos projetos, com temas relativos à “Cultura infantil e brincadeiras” tanto nas formações da equipe de educadores de assessoramento, quanto nas formações dos projetos, compartilhando seus conhecimentos de educador, artista cênico, pesquisador, poeta e compositor. A curiosidade e o desejo de saber mais sobre a cultura popular o levou a mudar para São Paulo em 1993, onde vive até hoje e integra dois grupos de pesquisa cênica: Grupo Pé de Maravilha-contadores de histórias e Núcleo Pé de Zamba. Atua também como professor formador do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC-SP), em projetos de educação integral diversas cidades brasileiras. Foi Curador artístico dos Projetos “Casa de Cultura e Cidadania” da AES Eletropaulo (2008-2010) e “Brincando nas Férias” da Secretaria de Educação de Carapicuíba, em 2010. Foi professor e coordenador do curso de circo para crianças da Cooperação Criativa/Galpão do Circo, de 2003 à 2011. Em 2005, e finalista do Festival Cultura de Música, em 2005 e do Prêmio Visa Compositores, em 2006, atualmente desenvolve a Vivência Corpopular, a qual integra desde 2001. O brinquedo favorito dele é a imaginação.

Como as brincadeiras tradicionais contribuem com a formação infantil?

As brincadeiras tradicionais são potentes aliadas na Educação Infantil, desde as brincadeiras com palmas, passando pelas cirandas, pelas cantigas de roda, de ninar, pelas brincadeiras de correr, de pular, de esconder Trata-se de um conjunto de atividades importantíssimo para o desenvolvimento de uma criança, para o reconhecimento de suas habilidades corporais. No nosso leque de repertórios do brincar brasileiro, esse brincar genuíno, fruto da mistura dos índios, africanos e europeus – há brincadeira pra todo tipo de ocasião e aprendizado. Acredito que, de trinta anos pra cá, a escola abriu suas portas à cultura popular, um tanto pela busca de novos educadores em ampliar conhecimento, com olhar pesquisador, sem preconceitos; outro tanto com a chegada de novos professores formadores ao cenário, vindo de várias regiões do país, munidos de bagagens significativas desse tesouro, semeando sobre arte educação, um conteúdo maravilhoso, que hoje se encontra enraizado como árvore frutífera.

Qual a importância de se trabalhar temas relacionados às diversas culturas com as crianças?

O Brasil é genuinamente um país mestiço, fruto da mistura de três matrizes, que resultou num povo único no mundo, com manifestações populares de encher os olhos. Isso precisa ser valorizado para que na hora da transmissão se aprenda a respeitar todas as contribuições étnicas, eliminando as discriminações e o bullying. As crianças precisam valorizar todas as nossas cores. Uma estratégia para familiares, educadores ou agentes do Sistema de Garantia de Direitos é trabalhar a cidadania abordando questões sobre a contribuição indígena na nossa história, sobre a herança negra, entre outras, que simbolizem nossa gratidão. A arte sensibiliza tudo, torna possível usar poesias e metáforas na comunicação com a criança.  É delicioso ensinar as cores, suas misturas e resultados, pintar com as mãos o espaço em branco, preencher com poesia o que vem na imaginação. Quanto à música, por exemplo, está conosco desde o ventre materno. A voz melodiosa da conversa da mãe com o bebê é musical, as cantigas todas, as palavras, as sílabas. A língua materna da criança se apresenta através da música.

Ao seu ver, quais são os fatores pontuais que fazem com que o direito ao brincar seja negligenciado e o que pode ser feito para mudar essa realidade?

Um dos fatores mais fortes é a falta de percepção da escola com relação ao espaço do brincar. Em grande maioria são espaços monótonos, sem vida e sem atrativos. No dia que a escola visitar a praça, vai se deparar com outras maneiras de abordagens. Precisamos estar próximos da natureza, nos parques, nos bosques. Precisamos urgentemente brincar embaixo de uma árvore e pisar no chão descalço. Há tantos saberes embutidos dentro de um passeio, precisamos explorar isso. Como mudar? Parafraseando minha querida amiga Lydia Hortélio: “é preciso o professor se alfabetizar na linguagem da criança para entender melhor seu papel de facilitador”.